Quinta-feira
19h:30 às 22h:00
Quadra 03 AE 02 Sobradinho-DF
 
Testemunho de Geiza Augusta Silva

Costumo dizer que Deus imprimiu em mim uma blindagem, pois a vida até aqui por mim vivida, me proporcionou um caminho de pedras e espinhos nos quais foi muito difícil caminhar, mas nessa ousada caminhada muito eu aprendi.

              Nasci em uma família cujo os meus pais eram muito jovens (minha mãe me deu a luz aos 14 anos de idade). Fui a primeira de 4 filhos e toda a carga negativa do meu pai recaiu sobre os meus frágeis ombros. Desde pequenina sentia a força do seu braço e o peso das suas palavras. Tinha medo, me escondia, quando eu fazia alguma coisa errada já sabia que a surra viria recheada de muito ódio e violência. Lembro-me de cada surra, de cada tapa, de cada palavra dura, de cada castigo, de cada exclusão e principalmente do olhar de rejeição que o meu pai lançava sobre mim.

            Cresci nesse ambiente. Não acreditava em mim e sempre esperava o pior do meu pai. Lembro-me que quando me tornei adolescente me apaixonei pelo vôlei, gostava de jogar e jogava muito bem, diga-se de passagem! Eu trazia no meu coração o desejo de um dia me tornar uma grande jogadora, mas não acreditava na minha capacidade, pois me tornei uma pessoa muito insegura e me escondia atrás de mentiras sobre mim mesma. Então tinha dias que jogava muito bem, mas em compensação, em outros, me saía péssima. A minha instabilidade fez com que eu sentisse inveja das pessoas, pois para mim todo mundo era melhor e mais capacitado do que eu. Doía muito viver a rejeição.

            Ainda na adolescência, lembro-me que eu e meu pai nos desentendemos e as minhas palavras (não me lembro bem as quais) o magoaram e nós ficamos 6 anos sem falar um com o outro. Era muito ruim passar por ele e não conseguir se quer pedir a bênção. Eu chorava muito, pois queria que o meu pai me amasse. Desculpe, mas fazer esse relato me traz à memória momentos dolorosos e lágrimas aos olhos... Continuemos!

            O tempo passou, e Deus na sua infinita sabedoria, permitiu que a minha mãe e os meus irmãos viajassem deixando eu e meu pai em casa. Claro que a intenção dela era fazer com que nós voltássemos a nos falar, é como se ela sentisse em seu coração que já era tempo daquele silêncio se romper. Dois dias depois que eles viajaram, eu cheguei em casa e sentei-me à mesa. Meu pai veio na minha direção e com os olhos banhados em lágrimas disse que precisávamos conversar. Eu não me contive, chorei demais e ele tentava segurar o choro. Conversamos naquele dia e voltamos a sentir em nossos corações uma paz que só Jesus podia nos proporcionar. Foi um dos dias mais felizes da minha vida! Era bom poder chamá-lo de pai novamente!

            Testemunho aqui que a blindagem citada no início do texto, foi para externar que muitas coisas contribuíram para que eu não buscasse a Deus, para que eu fosse uma pessoa amarga, violenta, revoltada, odiosa e que não acreditasse no amor. Vivi tudo isso, mas sempre acreditei do meu jeito medroso, pois também achava que Deus não me amava, que a vida valia a pena. Nunca odiei meu pai, ao contrário, sempre o quis perto de mim! Nada do que ele fez contra mim despertou algum sentimento negativo, pois eu apenas desejava tê-lo como meu paizinho.

            Ainda hoje carrego em mim alguns traumas, pois eles ficam, mas maior do que as machucaduras causadas por quem nos ama, está o amor de Deus que se sobrepõem a cada ferida aberta. Mesmo em meio aos escuros nos quais eu vivi, Deus sempre se fazia presente! Amo o meu pai e sei que ele me ama muito. Compreendo os motivos que o levaram a ser tão cruel comigo, pois ele transferiu a mim aquilo que recebera na sua infância e, ninguém pode dar aquilo que nunca recebeu.

Meu pai é um novo homem e sei que ele já se arrependeu de tudo que me fez, eu ouço isso dele! Meu pai é a prova viva de que Deus transforma, restaura, ama, cura e liberta!

            Tanto eu quanto ele fomos resgatados por Deus, pois na minha essência, na minha alma nunca houve violação, pois ela é o lugar onde Deus habita.
 

Não alcancei por meus próprios esforços essa inviolação da alma, se assim posso dizer, mas o Grupo de Oração da Igreja São Vicente teve um papel fundamental nesse processo. Mesmo sem forças eu ia para a Igreja, pois sabia que lá havia pessoas que rezavam e que falavam do amor de Deus. O canto, a Palavra pregada iam de encontro ao mundo deserto e árido em que eu vivia. Por isso nunca desisti de acreditar que toda a tempestade ia passar, por que por mais que os meus olhos enxergassem ódio, além da minha visão o Senhor colocava em meu coração o quanto me amava.


RCC/DF
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Capela São Vicente de Paulo
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