Grupo de Oração São Vicente.

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Vida em comunidade

setembro 3rd, 2013

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O Catecismo da Igreja Católica em seu parágrafo primeiro afirma que Deus “convoca todos os homens, dispersos pelo pecado, para a unidade da sua família que é a Igreja”. A Palavra de Deus no livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 42 e seguintes nos apresenta como era a primeira comunidade dos cristãos:

Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação.

Minha experiência pessoal de conversão ao catolicismo passa em primeiro lugar pela experiência que tive de comunidade. Num momento em que minha religiosidade espírita kardecista fazia cada vez menos sentido para mim em minhas análises de sentido da vida, da morte, da existência, minha alma tinha necessidade de outra leitura de mundo, de outra abordagem metafísica (explicação da essência das coisas, conhecimento das causas primárias). Surgiu então a oportunidade de fazer um encontro com o Grupo Jovem Imago Dei. Participando desse momento, recebi o convite para prosseguir caminhando com eles e pensei que poderia ser uma chance oportuna de me tornar uma pessoa melhor, por estar caminhando junto a pessoas de Deus, de Igreja. Qual foi minha surpresa em perceber que aquelas pessoas eram tão cheias de defeitos como eu! Aí está a primeira lição da vida em comunidade: somos apenas pecadores reunidos, em busca de Deus sim, mas em processo de santificação. Não é justo esperar que os irmãos de comunidade sejam perfeitos pois nós mesmos estamos longe de o ser!

Conforme ia caminhando na vida comunitária, fui fazendo amizades que são as amizades mais verdadeiras da minha vida, muitas vezes mais presentes até mesmo que os próprios familiares. São inúmeros testemunhos que poderia dar com relação à amizade verdadeira na comunidade. Nos momentos mais felizes da minha vida, minha comunidade estava presente, a nossa festa de casamento, por exemplo, foram meus irmãos de comunidade junto com minha família que nos deram de presente! Sabíamos que não poderíamos fazer festa e comentamos com alguns irmãos. Minha mãe disse que fazia questão de preparar pelo menos um bolinho no salão da Igreja. Eu achava que seria isso, apenas um bolinho! Mas quando saímos da Igreja e fomos para o Salão (que aliás, conseguiram de graça com a paróquia), lá estava o bolo de casamento mais lindo que já vi, com 3 andares, uma mesa linda, bombons, mesas para os convidados, salgadinhos, ornamentação, champanhe, música, tudo! Recebemos tudo, de graça, de presente dos irmãos do Grupo Jovem Imago Dei e do Grupo de Oração São Vicente, além de outros membros da nossa paróquia em geral e nossas famílias! Foi inesquecível!

Em todos os grandes momentos de minha vida, minha comunidade esteve presente. Temos quatro filhos e para cada um deles ganhamos chás de fraldas, visitas, muitas orações, carinhos e amor. Quando eu perdi meus outros dois bebês, quem me consolou foram mais uma vez meus irmãos de comunidade. Sempre que estive doente, acamada, ou em alguma das cirurgias pelas quais passei, sempre recebi o apoio, a visita, o telefonema deles. Quando fazemos reforma na casa, quando fazemos churrascos, quando algum parente precisa de uma oração, quando fazemos uma fogueira no quintal… sempre a comunidade se faz presente! E quando tive a experiência de ser estrangeira (período em que moramos em Portugal), senti a vida “desertificar” sem minha comunidade, embora estivéssemos em contato constante pela internet (por e-mails e redes sociais). O que me consolava era saber que eu estava unida à eles pela comunhão nas Santas Missas, mesmo além-mar.

E essa é a pedagogia de Deus para nos proporcionar a comunhão que Ele mesmo é na Trindade Santa: primeiro no seio da família que Ele escolheu para nós e depois para além dos laços de sangue, nessa família que nós elegemos na comunidade eclesial! Como canta Celina Borges: “Deus sabe que eu preciso da Igreja, Deus sabe que eu preciso ser família”! Os laços comunitários são consanguíneos também, mas num outro nível, pelo Sangue Eucarístico de Jesus que corre em nossas veias espiritualmente. Percebemos em Atos 2 citado acima: a partilha do Pão Eucarístico, as orações no Templo são o coração pulsante da primeira comunidade, e como consequência disso, brotava a partilha material, os prodígios e sinais, a adesão cada vez maior de novos fiéis por causa desse testemunho de vivência concreta de fé.

Claro que já me decepcionei nessa caminhada, já me irritei, me magoei, já pensei em largar tudo, já vi (e dei!) contra-testemunho, infelizmente… Mas o Espírito Santo colocou dentro de mim uma necessidade tão grande de ser “povo de Deus” e uma consciência tão clara de que ser Igreja é participação na comunidade eclesial, que já não consigo mais viver fora desse contexto, apesar das falhas dos meus irmãos, apesar das minhas próprias fraquezas. Somos membros do Corpo de Cristo e nenhum membro sobrevive desconectado do Corpo (1 Cor 12, 27). Jesus já alertava que o ramo só tem vida enquanto permanece ligado à videira (Jo 15, 4). Participar da comunidade nos dá vida!

Não podemos nos acomodar a uma experiência de Cristo que exclua a participação na comunidade! Recentemente o Papa Francisco afirmou pelo twitter: “Não se pode separar Cristo e a Igreja. A graça do Batismo dá-nos a alegria de seguir Cristo na Igreja e com a Igreja.” Façamos essa experiência de amor e serviço que recebemos e damos em comunidade!

Manuela Cabral Eirado, serva do Grupo de Oração São Vicente

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